segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A SURPRESA

Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência. Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo.


Clarice Lispector - Aprendendo a Viver -

Por Ethel Muniz

Um comentário:

  1. a clarice é maravilhosa. estou a cada dia mais apaixonada pela sua forma de transpor as situações, os detalhes, os sentimentos.

    me identifico com tantas coisas... esses dias mesmo eu estava exatamente do jeitinho que ela está descrevendo. "por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado." que coisa comum ao ser humano!

    ela realça coisas tao simples...

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