As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre¹
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
¹ Ocre: Cor amarela acastanhada de uma argila colorida por um óxido.
Por: Júlia Queiroz
Estamos sempre mudando, renovando, acho que nada é constante. Coisas vêm, vão... Mas nada permanece igual.
ResponderExcluir"Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade."
Final de relação total!