segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Pequenas ações divergentes são necessárias!
Nietzsche
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E isso implica diretamente em nossas ações diárias. Quando estou num lugar que sei que não deveria, quando tenho atitudes contrárias à minha consciência por um capricho, ou talvez uma ilusão de que aquilo vai me fazer bem temporariamente. Mas a nossa consciência sempre vem à tona e a gente vê que de fato foi uma tentativa frustrada de adormecer a nossa consiência intelectual!
Por: Júlia Queiroz
domingo, 29 de novembro de 2009
Luz, câmara e outro tipo de ação

Existem filmes de ação com tiroteios, velocidade, cenas multipicotadas, sustos, finais bombásticos, superproduções. De vez em quando, até gosto. Mas os filmes de ação que estão entre meus preferidos são aqueles que, aparentemente, não têm ação nenhuma.
Um bom exemplo é Antes do Pôr-do-Sol, que dá continuidade ao Antes do Amanhecer e que finalmente entrou em cartaz. O filme é um blablablá ininterrupto entre um casal que caminha por Paris e discute a vida e a relação. Filme cabeça ou filme chato, rotule você. Mas não diga que não é um filme de ação.
Medo, suspense, aflição, expectativa: diálogos também provocam tudo isso. Como não sentir-se especialmente tocado por uma jovem mulher que admite ter perdido a ilusão do amor e que passou a viver blindada, refratária a qualquer nova relação? Como não sentir-se mexido quando um homem admite que casou porque todos casam, que passa 24 horas por dia infeliz e que a única coisa que lhe justifica a vida é o filho de quatro anos? O que pode ser mais mirabolante, impactante, desestabilizante, emocionante do que ver duas frágeis criaturas, um homem e uma mulher predestinados um ao outro, enfrentando a crueza da distância física e do tempo, e a irrealização de seus sonhos? Não se costuma catalogar estas pequenas crises existenciais como filmes de ação, mas elas me prendem na cadeira como nem uma dezena de Matrix conseguiria.
Luz, câmera, ação: e então filma-se o silêncio entre um homem e uma mulher que não se vêem há nove anos, e então filmam-se todas as dúvidas sobre se devem se tocar ou não, se beijar ou não. Então filma-se o papo inicial, cauteloso, até que chega a hora da explosão, dos desabafos, das acusações e do quase-choro. Então filma-se o que poderia ter sido - especulações - e o que será daqui por diante - especulações também.
E se o que faz o amor sobreviver for justamente a falta de convivência e rotina? Quem apostaria num amor apenas idealizado? E se a nossa intuição for mesmo a melhor conselheira e não merece ser desprezada? E se nossas lembranças nos traírem? E se casamento nenhum for mais importante do que um único encontro?
O cinema pode colocar pessoas desafiando a gravidade, cortando o pescoço uns dos outros, fazendo o tempo andar pra trás, e eu não me emocionarei nem ficarei perplexa, mas me dê um pouco de realidade e isso me arrebata.
Martha Medeiros
Por Tainã areal
E tudo isso já faz parte de um todo,de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice Lispector
Por: Júlia Queiroz
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Conclusões precipitadas
(...)
Um perigo que a filosofia de Hume aponta é o das conclusões precipitadas. Devemos assumir que não conhecemos realmente nada. Não sabemos nada. Todo conhecimento provém dos sentidos, das sensações e não passam de impressões. Por isso não podemos ter certeza de absolutamente nada.
Viviane Mosé
Por: Júlia Queiroz
Particularidades
Viviane Mosé
Por: Júlia Queiroz
terça-feira, 24 de novembro de 2009
...Sou um ser...

"Sou dona de mim, da minha vida e do meu destino
Sigo meu bom senso, minha razão, minha emoção e minha sede de ser livre
Bom é viver assim, sem amarras, sem apego ao passado e
Sem preocupação com questões que ainda não foram superadas,
Pois o mundo ainda precisa evoluir muito, há muito o que
Superar...
Eu penso, reflito e analiso
Sou um ser em constante mutação
Sou “Eu Mesma”, mas não sou “Sempre a Mesma”
Não sou normal, pois ser normal é chato
É repetitivo, e EU gosto de transformações
Gosto de olhar por vários prismas e
Mudar de opinião, de gosto, etc.
A mudança não é somente física,
Mas também é abstrata e intrínseca
A beleza e juventude se vão
Mas o conteúdo da alma permanece ..."
Por: Thaymara
Só para constar
Clarice Lispector
Por: Júlia Queiroz
Um nenhum
Todo homem é comum mesmo não sendo. O não ser comum do homem parece estar em sua forma própria de ser comum. Em seu jeito singular de sofrer, brincar, envelhecer. Em sua necessidade de construir, simbolizar, criar. Um homem não deixa de ser comum mesmo entre letras, livros, máquinas, sistemas, signos. Um homem é sempre uma trajetória que declina. Que ascende, mas que declina. O comum do homem é sua aparição relâmpago, o seu constituir e o seu perecer. O comum do homem é sua necessidade de dizer, manifestar, inscrever, perpetuar. Ao mesmo tempo sua impossibilidade de permanecer. Todo homem constitui-se na tensão entre viver e morrer, entre dizer e calar, entre subir e descer. Mas por razões extensas e difíceis a história humana parece ter se ordenado em torno da vontade de não ser.
Não envelhecer, não sentir dor, não se cansar, não se aborrecer. O homem parece envergonhar-se de ser: pequeno, sensível, mortal, humano. E organiza-se em torno de um ideal de homem, sem corpo. O homem envergonha-se de seu corpo. Não de seu sexo ou de seu prazer, mas de suas vísceras, de seus excrementos, de seus sons e odores, de seu processo bioquímico, fisiológico, orgânico. O homem envergonha-se de morrer e vai acuando-se, escondendo-se, perdendo-se em torno de uma idéia, de uma imagem. Em sua luta por não ser comum, o homem tornou-se nenhum. Todo homem virou nenhum. Nenhum homem na rua, em casa. Nenhum homem na cama. Nenhum homem, mas um nome. O homem se reduziu a um nome. Não um nome próprio, mas um substantivo.
Mas um homem é sempre maior que um nome mesmo que não queira. E uma outra história foi sendo tecida por trás desse desejo de não ser. Enquanto construía seus mecanismos de não corpo, enquanto se constituía como idéia, pensamento, imagem, 24/08/07 *Martha
continuando...
a humanidade proliferava em seus excessos contidos, em suas angústias não canalizadas, em suas paixões não vividas, em seus pavores maquiados. E um corpo invertido, nascido de tantos corpos abafados, foi constituindo-se socialmente, foi ganhando força e vida. Uma vida invertida, mas uma vida.
Tóxica, ela foi se alastrando pelas casas, pelas ruas, em forma de morte. A morte negada, as perdas e dores abafadas saíram às ruas reivindicando seu espaço. O que antes esteve circunscrito aos campos de batalha, às margens, aos guetos, agora ganha as escolas, os metrôs, os restaurantes, as praias. Não há mais lugar seguro, carros blindados, condomínios fechados. Agora todos somos igualmente passíveis. Vivemos a democratização da violência. Vivemos o predomínio daquilo que foi por tanto tempo obstinadamente negado.
A violência trouxe-nos de volta a urgência pelo corpo, pela vida, pelo tempo. E apartou-nos de nosso sonho de perenidade, de futuro, de verdade. Agora, todos estamos órfãos de nosso medíocre projeto de felicidade. Agora é preciso viver, temos urgência do instante, precisamos do corpo, mesmo gordo, magro, estrábico. E aqui, de meu lugar comum, de mulher comum, enquanto lavo a louça do café olhando a cor insistente da tarde que passa, me pergunto por quê? Por que não os dias nublados, as dores do parto, os serviços domésticos? Por que não o escuro, o delírio, a solidão? As lágrimas, os espinhos no pé, as quedas?
Dizem que o homem como conhecemos tende a desaparecer. É possível que uma espécie mais forte possa surgir, uma espécie capaz de um dia divertir-se com este nosso hábito demasiadamente humano de negar o inexorável, de controlar o incontrolável, e, não conseguindo, de esconder-se em cápsulas virtuais, em psicotrópicos de ultima geração, em imagens. Um homem que talvez tenha sempre existido pode começar enfim a surgir. Um homem capaz de viver a dor e a alegria de ser mortal, singular, sozinho, comum. Um homem capaz de gritar sua dor impossível. Um homem capaz de cantar. Um homem capaz de viver.
Viviane Mosé
Por: Júlia Queiroz
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A SURPRESA
Clarice Lispector - Aprendendo a Viver -
Por Ethel Muniz
UMA REVOLTA
Clarice Lispector
sábado, 21 de novembro de 2009
A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente
Não podemos ficar indiferentes à realidade da vida. A forma como a sua trajetória é traçada para o homem. As dores e os prazeres experimentados desde o primeiro minuto.
Poderíamos afirmar que a vida é valorizada pela morte. Ela, a morte, com sua presença irreverente desde sempre, vigilante, dita as normas que a vida deverá seguir. Estabelece o tempo. Senhora absoluta nos traz o sentimento constante de sua presença. Autoritária, nos permite a alegria de ter tido mais um minuto, uma hora, um dia, e os anos que se somam, graças a sua generosidade.
Paradoxalmente a morte é tristeza e alegria, nos leva a contar o tempo convencionado, comemorando aniversários que nada mais são do que um recado mudo de agradecimento que a ela fazemos: “obrigado pelo seu silêncio durante mais este ano”.
Não se fala da vida sem pensar na morte, pois ela reina absoluta fazendo-nos concessões, dando-nos favores, e , de quando em vez, provocando algum tipo de intimidade num desejo de sedução, mas, nunca perdendo o seu jeito autoritário de quem tem a palavra final e pode sentenciar com a soberania que lhe é peculiar: O FIM.
Mas, mesmo a morte tão soberana não consegue apagar o brilho da vida, o seu dom, a beleza que ela encerra, alimentando o desejo perene de ser perpetuada.
Sabemos que a vida não vem embrulhada em um laço, mas é um presente de Deus, que soberano rege a vida e a morte, e submete o antes e o depois, num sinal verdadeiro de sua presença suprema. Esse Deus humaniza, desperta a alegria de viver. Rege todos os planetas e todos os sistemas de forma precisa. Ele4 faz da vida o maior dos presentes, dando-nos o direito de presenciar toda a sua grandeza mesmo estando acima dos limites da nossa própria compreensão.
Meu incrível professor que me presenteia a todo instante com a sua imensa sabedoria.
Por Tainã Areal
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Reciclando
Para que tudo tenha um novo impulso, ganhe uma nova luz.
Reciclar para imprimir novas palavras, novas experiências, novos sentimentos.
Avaliando erros para gerar acertos, mudando trajetos para entender os caminhos, olhando a vida, todo dia, com o coração novinho em folha.
Pensando bem, é esse o nosso papel, o que nos dá sentido.
Pois se fazendo como sempre foi feito a gente acaba chegando ao mesmo lugar, melhor então é rever, com clareza, o que verdadeiramente queremos, buscar sabedoria no que já fizemos e aí, então, realizar de outra maneira, fazer diferente, reinventar.
Crer para ver que há um poder impaciente por se revelar a quem não desiste, recria, vai em frente, buscando sempre, dentro de si, o melhor.
Autor Desconhecido
Carpe diem!
Por: Júlia Queiroz
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Retrato



Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles
Por Tainã Areal
sábado, 14 de novembro de 2009
Percepção de solidão
Uma mulher entra no cinema, sozinha. Acomoda-se na última fila. Desliga o celular e espera o início do filme. Enquanto isso, outra mulher entra na mesma sala e se acomoda na quinta fila, sozinha também. O filme começa.
Charada: qual das duas está mais sozinha?
Só uma delas está realmente sozinha: a que não tem um amor, a que não está com a vida preenchida de afetos. Já a outra foi ao cinema sozinha, mas não está só, mesmo numa situação idêntica a da outra mulher. Ela tem uma família, ela tem alguém, ela tem um álibi.
Muitas mulheres já viveram isso - e homens também. Você viaja sozinha, almoça sozinha em restaurantes, mas não se sente só porque é apenas uma contingência do momento - há alguém a sua espera em casa. Esta retaguarda alivia a sensação de solidão. Você está sozinha, não é sozinha.
Então de repente você perde seu amor e sua sensação de solidão muda completamente. Você pode continuar fazendo tudo o que fazia antes - sozinha - mas agora a solidão pesará como nunca pesou. Agora ela não é mais uma opção, é um fardo.
Isso não é nenhuma raridade, acontece às pencas. Nossa percepção de solidão infelizmente ainda depende do nosso status social. Se você tem alguém, você encara a vida sem preconceitos, você expõe-se sem se preocupar com o que pensam os outros, você lida com sua solidão com maturidade e bom humor. No entanto, se você carrega o estigma de solitária, sua solidão triplicará de tamanho, ela não será algo fácil de levar, como uma bolsa. Ela será uma cruz de chumbo. É como se todos pudessem enxergar as ausências que você carrega, como se todos apontassem em sua direção: ela está sozinha no cinema por falta de companhia! Por que ninguém aponta para a outra, que está igualmente sozinha?
Porque ninguém está, de fato, apontando para nenhuma das duas. Quem aponta somos nós mesmos, para nosso próprio umbigo. Somos nós que nos cobramos, somos nós que nos julgamos. Ninguém está sozinho quando curte a própria companhia, porém somos reféns das convenções, e quando estamos sós, nossa solidão parece piscar uma luz vermelha chamando a atenção de todos. Relaxe. A solidão é invisível. Só é percebida por dentro.
por Tainã Areal
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Beatriz Milhazes
"Joga no Google" e se delicie com toda a alegria que seu talento transmite...
Enjoy!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A Hora do Cansaço
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre¹
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
¹ Ocre: Cor amarela acastanhada de uma argila colorida por um óxido.
Por: Júlia Queiroz
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Não se mate
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico¹,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável²,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam³,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond de Andrade
¹ Telúrico: relativo à Terra.
² Inefável: que não se exprime em palavras.
³ Persignar-se: Benzer-se com o sinal da cruz
Por: Júlia Queiroz
Procura-se
Pra acompanhar
Pra conversar
Pra tocar
Pra ir ou não ir
Só ficar
Estou a procura de alguém
Pra rir
Entender
Ensinar
Trocar
Aprender
Preencher
Concluir um pensamento ou não
Só conversar
Ultimamente procuro
Sintonia
Sincronia
Música boa
Gente boa
Uma coisa à toa
Procuro
Escrever
Entender
Ler
Ouvir
Rever
Rir
Aprender
Viver
E você, procura o que?
Por: Júlia Queiroz






