quinta-feira, 11 de novembro de 2010

estava caminhando de biquíni na beira da praia
numa daquelas manhãs em que nada há para se pensar
mar azul, picolé, um sorriso bobo na face
quase criança de tanto nada para me atazanar

aí passou alguém por mim de camiseta
uma camiseta onde estava escrito: Quem é você?
apenas isso na camiseta, não era propaganda
Quem é você? simplesmente: Quem é você?

perdi o mar de vista e o sorriso evaporou do meu rosto
o picolé perdeu o gosto, eu já não era criança
Quem é você?, uma camiseta me perguntou
e a resposta deveria ser mais do que o não sei que me assaltou

quem sou? mulher, com garantia
e seria ousadia prosseguir: se madura ou biruta ou grotesca
se sensível ou irracional ou se mais uma igual a todas
nada me define e eu definho, queria tanto ter certeza

erro noite e dia, tenho consciência apenas do que faço mal
atitudes certas e palavras oportunas: não confirmo existência
faço tudo trocado, às avessas, sem jeito, e choro aos montes
difícil existir no mundo sem um bom planejamento pessoal

Quem é você?, me pergunta uma camiseta
e me desconsolo com a resposta que não tenho para esta peça de roupa
eu não sou nada, ninguém, não sou daqui, não assimilei as regras
sou uma indefinição bem disfarçada e que anda às cegas

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